terça-feira, 26 de maio de 2015

REFRÃO DAQUELA MÚSICA

Às vezes canto para mim mesmo. Quietinho, só o refrão “daquela” música.
Penso infinitas vezes que poderia ter dito muitas coisas para você. Seria só paixão passageira ou algo a mais?
Não importa. É assim mesmo e continuo a cantar.
Às vezes penso porque fui tão criança, tão ingênuo, tão humano. Aí continuo a cantar os intermináveis refrões.
E dá para deixar de cantar? Acho que não.
Apenas troco de faixa. Escuto as batidas da música, escuto a batida uniforme da bateria, como se fosse meu coração.
Às vezes acho que o coração me escuta. Acho que ele possui consciência, que pode me ouvir, mas nunca fala a verdade.
O coração tenta me enganar, dar uma rasteira bem dada em cada música que ouço. Tenta mudar de faixa sem a minha permissão.
E continuo a cantar os refrões, bem quietinho, só mexendo os lábios em silêncio. Quase um assovio...
Só penso aonde estas músicas me levarão. 
Às vezes acho que a música poderá enjoar. Mas isso, jamais...
Às vezes canto, às vezes escuto, às vezes troco de faixa, às vezes acaba virando o nome da música.
Acaba ficando sem autor, sem cantor, sem letra, sem alguém que possa escutar.
Está chegando a hora de párar de cantar, está na hora de compor, está na hora de buscar uma intérprete.

E às vezes chega a hora de começar o show...


Alam Key Ioda
26/05/2015